Muitos empreendedores estão assustados com as notícias sobre as mudanças nos impostos. Afinal, a Reforma Tributária é a maior transformação fiscal das últimas décadas. No entanto, a primeira informação que você precisa ter é muito clara: o Simples Nacional não vai acabar.
Sendo assim, o regime simplificado continuará sendo uma opção segura para micro e pequenas empresas. Além disso, a essência da unificação de tributos por meio da guia DAS será mantida até pelo menos 2033. Portanto, o tratamento favorecido para quem fatura até R$ 4,8 milhões por ano continua garantido pela nova legislação.
Contudo, embora o regime permaneça vivo, as regras do jogo vão mudar drasticamente. Por outro lado, quem não se preparar para a transição poderá perder competitividade rapidamente. Por isso, a Conexão Contábil preparou este guia para explicar como o novo sistema de IVA Dual vai impactar o seu dia a dia. Em resumo, o foco agora não é o fim do Simples, mas sim a sua adaptação ao novo cenário brasileiro.
Índice
A Chegada do IBS e da CBS: O Que Muda no DAS?
A maior mudança da reforma é a criação do chamado IVA Dual. Em primeiro lugar, você precisa entender que cinco impostos atuais serão extintos. Dessa forma, o PIS, a Cofins e o IPI darão lugar à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Além disso, o ICMS e o ISS serão substituídos pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).
Consequentemente, esses dois novos tributos passarão a compor o cálculo do seu DAS. No entanto, a guia unificada não deixará de existir para o pequeno empresário. Nesse sentido, o governo promete manter a facilidade de pagar tudo em um único documento de arrecadação. Por exemplo, os impostos sobre a renda, como o IRPJ e a CSLL, continuam dentro da mesma sistemática de hoje.
Portanto, a mudança inicial parece apenas uma troca de nomes nos campos da sua guia. Contudo, a forma como esses impostos são calculados será baseada no valor agregado em cada etapa. Sendo assim, a sua gestão financeira precisará de um controle muito mais rigoroso sobre as notas fiscais. Afinal, a nova lógica de créditos tributários será o grande divisor de águas para a saúde do seu caixa.
O Dilema do B2B: Recolher “Por Dentro” ou “Por Fora”?
As empresas que vendem para outras empresas terão um grande desafio pela frente. Em outras palavras, o modelo atual de crédito tributário vai mudar completamente com a nova lei. Atualmente, os clientes de empresas do Simples Nacional recebem créditos limitados. Contudo, com a Reforma Tributária, surge o sistema híbrido para tentar equilibrar essa balança.
Embora o custo financeiro seja neutro, o custo operacional aumenta. Os impostos antigos (ICMS, ISS, PIS e COFINS) continuam existindo integralmente. Sua equipe terá que rodar duas apurações paralelas: a do sistema antigo (para pagar o grosso do imposto) e a do novo sistema (para pagar a alíquota de teste e compensar). O erro nessa apuração cruzada é o maior risco de multas em 2026.
Recolhimento “Por Dentro” do DAS
Nesta opção, tudo continua como funciona hoje no sistema unificado. Porém, o seu cliente pessoa jurídica não terá direito ao crédito integral do IBS e da CBS. Como resultado, o seu serviço pode parecer “mais caro” para empresas do Lucro Real ou Presumido. Em resumo, essa escolha costuma ser ideal para quem vende apenas para o consumidor final (B2C).
Recolhimento “Por Fora” do DAS (H3)
Por outro lado, você pode optar por pagar o IBS e a CBS separadamente. Nesse caso, a sua empresa do Simples passa a destacar o imposto cheio na nota fiscal. Todavia, isso permite que o seu cliente aproveite o crédito total do tributo pago. Portanto, essa estratégia é fundamental para manter a sua competitividade no mercado B2B.
Sendo assim, a decisão de migrar para o modelo híbrido deve ser estratégica. Afinal, o recolhimento “por fora” aumenta o valor da sua guia, mas pode garantir a renovação de grandes contratos. Por isso, o acompanhamento contábil será obrigatório para calcular qual caminho protege mais o seu lucro.
Créditos Tributários e Competitividade: O Novo Cenário
A gestão dos créditos será o grande diferencial de mercado nos próximos anos. Em primeiro lugar, você precisa entender que o crédito tributário funciona como um “desconto” para quem compra de você. Sendo assim, se o seu cliente não recebe esse crédito, o seu produto acaba custando mais caro para ele no final das contas.
A essência da Reforma Tributária é a chamada não cumulatividade plena. Em outras palavras, o imposto pago na compra de um insumo deve ser abatido do imposto devido na venda. No entanto, o Simples Nacional tradicional não permite que o seu cliente aproveite o crédito integral do IBS e da CBS. Portanto, esse é o ponto que exige maior atenção do empresário.
O Risco de Perder Clientes B2B
Atualmente, muitas empresas grandes compram de pequenos fornecedores pela facilidade e preço. Contudo, com o novo IVA, essas grandes empresas vão buscar fornecedores que gerem o maior crédito possível.
Consequentemente, se você permanecer apenas no recolhimento unificado (dentro do DAS), poderá se tornar menos atrativo. Afinal, o seu cliente terá que arcar com o custo do imposto sem poder descontá-lo depois.
A Vantagem para o Mercado B2C
Por outro lado, se o seu foco é o consumidor final (pessoa física), o cenário é bem diferente. Nesse caso, o cliente comum não utiliza créditos tributários para nada. Dessa forma, manter-se no Simples Nacional tradicional continua sendo a melhor estratégia.
Isso ocorre porque a simplicidade e a carga tributária menor do DAS ainda superam qualquer outra vantagem. Em resumo, o seu público-alvo é quem vai ditar o seu novo modelo de negócio.
Cronograma de Transição: O Que Acontece de 2026 a 2033?
A transição para o novo sistema não será imediata. Em primeiro lugar, o governo estabeleceu um cronograma longo para que as empresas possam se adaptar sem sustos. Sendo assim, a mudança será dividida em fases bem definidas ao longo dos próximos anos.
A Reforma Tributária prevê um período de adaptação de quase dez anos. Dessa forma, você terá tempo para organizar os seus processos internos e treinar a sua equipe. No entanto, é fundamental conhecer cada etapa para não ser pego de surpresa.
A Fase de Testes (2026 a 2028)
Nesta etapa inicial, teremos o início da cobrança do IBS e da CBS com alíquotas simbólicas. Além disso, o sistema servirá como um laboratório para ajustar a arrecadação. Portanto, o impacto financeiro no seu DAS será mínimo nesses primeiros anos. Contudo, este é o momento ideal para atualizar o seu software de emissão de notas fiscais.
A Substituição Progressiva (2029 a 2032)
A partir de 2029, os impostos atuais começarão a cair enquanto os novos sobem. Consequentemente, o ICMS e o ISS perderão espaço gradualmente na sua guia mensal. Nesse sentido, o papel da contabilidade se torna ainda mais estratégico. Afinal, será preciso recalcular a competitividade do seu preço a cada nova mudança de alíquota.
A Implementação Total (2033)
Por fim, em 2033, o sistema antigo será totalmente extinto no Brasil. Sendo assim, apenas o IBS e a CBS estarão em vigor em todo o território nacional. Em resumo, o Simples Nacional sobrevive, mas totalmente integrado à lógica do IVA Dual. Dessa maneira, o planejamento tributário que você iniciar hoje garantirá a segurança do seu patrimônio no futuro.
Checklist Prático: Como Preparar Sua Empresa Hoje
A transição começou e o tempo é o seu maior aliado. Dessa forma, seguir um roteiro de ações ajudará a manter o seu lucro protegido. Além disso, você terá mais segurança para tomar decisões sobre o modelo híbrido. Confira as prioridades para os próximos meses:
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Revisão do Planejamento: Converse com o seu contador sobre o impacto do IVA Dual no seu faturamento.
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Mapeamento de Clientes: Identifique se o seu público é majoritariamente B2B (empresas) ou B2C (consumidor final).
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Análise de Fornecedores: Descubra quais parceiros destacam IBS e CBS nas notas fiscais para gerar créditos.
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Atualização de Sistemas: Verifique se o seu software de gestão já está pronto para o novo modelo de emissão.
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Treinamento de Equipe: Capacite o seu time de vendas e compras para entender a nova lógica de preços e créditos.
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Formação de Preço: Recalcule suas margens considerando o que poderá ser recuperado via impostos.
O Simples Nacional Exige um Novo Olhar
Como vimos ao longo deste artigo, o Simples Nacional não vai acabar em 2026. No entanto, ele deixará de ser um regime estático e passivo. Sendo assim, o empresário precisará ser muito mais analítico para decidir entre o modelo unificado ou o híbrido. Afinal, a escolha errada pode afastar grandes clientes ou reduzir drasticamente a sua margem de lucro.
Em resumo, a Reforma Tributária traz desafios, mas também oportunidades de modernização. Por outro lado, quem ignorar essas mudanças poderá enfrentar sérios problemas de competitividade. Nesse sentido, ter uma contabilidade parceira e estratégica é o que vai diferenciar os sobreviventes dos vencedores no novo cenário brasileiro.
A Conexão Contábil está pronta para realizar todas as simulações necessárias para o seu negócio. Garantimos que você continue pagando o menor imposto possível dentro da legalidade. Não espere 2033 chegar para se adaptar. O futuro da sua empresa começa com o planejamento que fazemos agora.
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